A Exposição

A cidade informal constitui o corpo central desta exposição. São mostrados diagramas detalhados, dados estatísticos e definições das características sociais, políticas e espaciais; ou seja, análises das ocupações precárias do território – daquela parte da cidade que não tem urbanização legal – onde o parcelamento do solo é descontrolado e as construções não têm planejamento, resultando nos chamados assentamentos espontâneos, com pouca ou nenhuma infraestrutura e serviços.

A favela de Paraísópolis, e sua posição estratégica próxima ao bairro do Morumbi, serve de pano de fundo para esta mostra. Objeto de estudo e exemplo de cidade informal paulistana, revela toda a problemática de seu entorno e o desenvolvimento de diversas propostas aqui enunciadas.

A mostra vai além. Apresenta 18 projetos para sete favelas diferentes, também resultado de diversas situações de colaboração internacional, com projetos elaborados por arquitetos de reconhecido valor.

São Paulo aglomera mais de 1.500 favelas e um imenso desafio de transformá-las em bairros integrados ao seu território. Uma realidade comum a quase todas as metrópoles de todos os continentes. Criar uma rede de experiências bem sucedidas, resultante de ideias de arquitetos e urbanistas, significa um bom caminho e um bom modelo para a universalização de práticas necessárias e possíveis.

A visita que Christian Whertmann, professor da Harvard University Graduate School of Design (GSD) realizou em São Paulo, em agosto de 2007, a partir de algumas áreas já urbanizadas na região dos mananciais, permitiu que ele desenvolvesse o curso “Infraestrutura Alternativa para a Cidade Informal”. Os participantes elaboraram, por meio das propostas sugeridas, intervenções nos assentamentos Cantinho do Céu e Paraisópolis, utilizando tecnologias alternativas para água, esgoto, energia, controle de erosões e transportes.

Simultaneamente, alunos do Sustainable Urban Living Model, da Columbia University Graduate School of Architecture Planning and Preservation, coordenado pelos professores Alfredo Brillembourg e Hubert Klumpner, do grupo Urban Think Tank (U-TT), fizeram um minucioso estudo para Paraisópolis, com propostas para habitação, infraestrutura, parques e áreas de lazer, entre outros.

Na Bienal de Roterdã, em outubro de 2009, cujo tema foi Open City: Designing Coexistence, a subcuradoria do evento, sob direção dos arquitetos Rainer Hehl e Jorg Stolmann, selecionou, para a seção Squat, trabalhos de seis arquitetos para a comunidade de Paraisópolis, aqui apresentados.

Osprojetos, abordados a partir de quatro temas, sob a forma de operações táticas que melhor representam os problemas mais relevantes da cidade informal, vão possibilitar uma visão crítica do trabalho mostrado.

CONEXÕES, que traduz o sentido de conectar os territórios da cidade informal com a formal e construir continuidades.

TRANSIÇÕES, em referência a ações de projetos que exploram as conexões entre os espaços públicos e privados.

FRUIÇÕES propõe soluções alternativas às técnicas tradicionais para sistemas de drenagem, utilização de águas e reciclagem. O destaque são as alternativas que buscam a sustentabilidade dos sistemas urbanos.

TRANSFORMAÇÕES, evidencia projetos que resultam em mudanças na morfologia existente, como áreas ocupadas de forma precária, que se transformam em parques, novas moradias, espaços de circulação.

Marisa Barda
Curadora

Portal da Prefeitura da Cidade de São Paulo